Desintoxicação de redes sociais

Com facebook desde 2009, Instagram desde 2013, decidi fazer uma pausa, como uma espécie de desintoxicação de redes sociais.
Quer queiramos quer não, é um vício. De diferentes formas para cada um, mas é, nao deixa de ser. Atinge principalmente os de 1990 para cima com (muitas) exceções para baixo também. Nascemos numa boa época mas estamos a viver numa época ruim.

a) • Há quem tenha necessidade de publicar uma fotografia por dia contando desesperadamente quanto tempo resta "será que se publicar outra dou um ar de viciado?" ou "é melhor esperar pela hora de jantar para ter mais likes"
b) • Há quem não tenha necessidade de publicar mas passa lá 24h por dia a vasculhar as últimas news "como assim a Jú anda com o Bernardo, que é ex-namorado da Carolina, e trocou-a pela Bianca que conheceu no Bliss na semana passada?"
c) • Há quem viva obcecado com o número de seguidores e de likes "ora bem, deixa-me lá seguir 900 estranhos para me retribuirem o follow. No dia seguinte: wepaa 569 novos seguidores! Vamos lá fazer unfollow a estes burros desgraçados. Não posso apresentar um Instagram onde sigo mais de 1000 pessoas que parece mal. Espero que ninguém tenha reparado, uffa"
d) • Há quem aproveite o instastories para meter em prática o novo processo de engate. Se não resultar, calma... não muda de estratégia, muda de miúda.
e) • Há quem usufrua das redes sociais essencialmente para trabalhar e promover o negócio. E use isso como desculpa ao "eu não estou viciado, é o meu trabalho" claro!
f) • E há quem tenha conta mas realmente não usufrui... porque AINDA não aprendeu, tipo a minha mãe.

Ok, sempre fui muito presente nestas duas redes sociais e agradecida por não ligar às restantes. O meu vício passa mesmo pela vasculhice e publicação de fotografias, confesso. Sou apologista da vida fora das aplicações, dou graças à minha infância e início da adolescência onde a palavra "aplicação" apenas se definia em "aplicar algo".  Por incrível que pareça sempre sabíamos onde estavam os amigos, sempre sabíamos as datas de aniversário de cor, havia menos conflitos e mais namoricos puros onde tudo era dito pessoalmente. Verdade ou não?
Foi na altura do meu intercâmbio que comecei a ganhar seguidores devido ao blog, consequentemente a ganhar likes e por fim a motivação para publicar fotografias, como que um ciclo vicioso.
Pelo Facebook, na verdade, fui perdendo o interesse. Já o Instagram tem ganho peso, sendo uma plataforma essencialmente dedicada à fotografia piora tudo para os meus lados. Ando sempre com a máquina fotográfica atrás, gosto de fotografia, gosto particularmente de tratar fotografias, quanto mais simples e minimalistas melhor. Gosto mesmo, então fica impossível tirar aquela chapa do catano, esforçar-me na edição mega profissional e deixar a fotografia a ganhar pó na galeria né? Óbvio que a tenho de partilhar! Não sou egoísta.

Por meros segundos pensei "vou desativar as contas" e quando dei por mim já as tinha desativado. Estou doente, ou melhor, vou ficar doente, e não é que fiquei mesmo? (Não por esse motivo mas acho que a vida ainda assim quis castigar-me e aumentar-me a temperatura do organismo como se eu não fosse já uma brasa. Já estou melhor, obrigada.)

1°dia: Isto VAI fácil. - de hora a hora abria as aplicações com a força do hábito, esquecendo-me completamente que elas estavam desativadas.
2° dia: Acordo, bocejo, pego no telemóvel e... vai de ver as novidades. Mas onde Verónica?? Porra né??
3° dia: reavejo o meu melhor amigo após um ano distantes, no meio de toda aquela emoção: bora tirar uma fotografia para o instastories!!! Mas qual instastories Verónica Maria??? Cacete!
4° dia: a minha querida mãe "filha já viste a foto que o teu pai publicou?" OPAAAA MÃE!!!
5° dia: Recebo 3 ou 4 chamadas de amigos: "Estás viva?? Que aconteceu ao teu Instagram?? Entraram-te na conta?? Estás bem?? Alguém te fez mal?? Não te vais suicidar pois nao??"
6° dia: Isto, de facto, NÃO está a ser fácil. Não sei onde os meus amigos andam, muito menos sei os cartazes dos festivais, ou das discotecas tendência deste verão. E se é previsto um apocalipse e eu não sei?
7° dia: Primeiro dia sem clicar nas aplicações, caí na real. Fase de aceitação.
8° dia: Afinal até vivo bem sem as redes sociais. Para que é que preciso disso mesmo? Sou feliz na mesma.
9° dia: Já li mais dois livros. Já sei de cor as leis e protocolos de enfermagem. Já passei todos os níveis do Candy Crush Saga. E ando a ganhar trunfos no poker online.
10° dia: Revi a minha galeria da máquina fotográfica e reparei que tinha taaantas fotografias lindas por partilhar de Itália! Às tantas revi também as de Cabo Verde, Paris, Berlim, Brasil... raios parta! Que se lixe esta desintoxicação da treta!

Conclusão: Estou de volta.

Confesso que exagerei no post, foi bem mais fácil do que imaginava. Simplesmente percebi que acaba também por ser mais hábito do que vício, não há necessidade nenhuma de contrariar isso. São os tempos de hoje em dia e aceito-os de forma moderada. Desde que seja eu mesma e não demonstre ter uma vida que não tenho... é saudável e está tudo bem.